O universo de anúncios e conteúdos tem sido altamente impactado com a utilização cada vez mais comum das IAs pelos potenciais consumidores de produtos e serviços. Os antes interessantes anúncios patrocinados, onde sua oferta era destacada em mecanismos de pesquisa online, vêm perdendo espaço para respostas automatizadas de IAs que buscam compreender e resumir sua demanda rapidamente, ocupando a primeira posição de visualização do usuário que está fazendo a pesquisa. Portanto, precisamos repensar as práticas de marketing digital para diferenciar seu produto na era da inteligência artificial.
Aqui está o segredo que seus concorrentes ainda não entenderam: as IAs não inventam respostas. Elas buscam a resposta MAIS COMPLETA e MAIS CONFIÁVEL que conseguem encontrar na web. Se sua empresa tem essa resposta, a IA vai recomendar você. Se não tem, a IA vai recomendar seu concorrente. Simples assim.
Qual a resposta com maior índice de sucesso a uma pergunta genérica feita por um usuário médio? Esse é o treinamento basilar das IAs que satisfazem a ampla maioria dos seus usuários. Por isso se desenvolvem prompts de comando, as orientações que definem novos parâmetros para que uma IA selecione o tipo de resposta ideal para uma pesquisa mais refinada. Porém, vamos nos ater aos usuários médios das IAs, aqueles que fazem perguntas genéricas e recebem respostas medíocres sobre suas necessidades. Afinal, as IAs foram criadas como assistentes perfiladas em seus próprios usuários.
E aqui, meus amigos, é que começam os jogos dos anúncios digitais. Imagine a questão “melhores restaurantes para um jantar de dia dos namorados em Uberlândia?” Onde está a base de dados para as IAs responderem essa questão? Sites que promovem análises sobre restaurantes desta cidade, postagens com alto engajamento em redes sociais … e, finalmente, em sites de restaurantes realmente relevantes da região que tenham investido em conteúdos acerca de jantares no dia dos namorados.
Enquanto escrevo esse artigo, resolvi fazer essa pesquisa no Gemini da Google. Não sou de MG, apenas apontei essa cidade por sua popularidade no Brasil. E os resultados principais foram de sites próprios dos restaurantes e um site de análise de locais na região. Nenhum perfil do Instagram com milhares de seguidores. Nenhum Tiktoker. Apenas conteúdos não patrocinados, mas relevantes.
Obviamente um restaurante local poderia (e deveria) fazer uma divulgação local nas redes sociais. Mas estou falando das IAs como assistentes em decisões. Conteúdos relevantes fomentam as Inteligências Artificiais, não fotos bonitas e análises em vídeo de influenciadores.
Estamos na metade de 2026. E as IAs tendem a ser um recurso cada vez mais utilizado até se consolidarem como o padrão de assistência aos usuários em alguns anos. Esqueça as pesquisas online e visualize os assistentes inteligentes como o futuro da busca por informações.
Exemplificada a realidade cada vez mais latente da utilização das Inteligências Artificiais, vamos pensar na sua empresa e em seus produtos. Há muito tempo percebo empresas vendendo produtos na web com ênfase em disputas em leilões online nos mecanismos de buscas e via redes sociais, depreciando seus próprios websites e conteúdos em bases próprias (sites educacionais, informativos e hotsites ricos em conteúdos). Muitos investimentos na “economia da atenção”, com conteúdos rápidos para usuários desinteressados, e poucos investimentos em conteúdos densos, comparativos e informativos sobre seus produtos e serviços.
“Por que eu deveria investir em conteúdos mais robustos se as pessoas não leem mais?” é a pergunta básica da ampla gama dos gestores de marketing. Vamos lá:
Primeiramente, ainda no momento atual, conteúdos robustos se refletem em custos mais baixos nos leilões de propaganda online. Imagine o algoritmo da Google indicando uma resposta patrocinada ao seu usuário. O que ele leva em consideração: “esse site promovido pelo anunciante tem as informações completas sobre o que o usuário está pesquisando?” Se a resposta for sim, o anúncio é mais barato, pois é relevante. Se a resposta for não, as informações são incompletas, então o anúncio terá um custo mais caro por clique, afinal perdeu relevância.
E as IAs? Irão citar seu website, seus contatos, suas soluções? Muito provavelmente suas soluções são totalmente desconhecidas pelas IAs, afinal seu conteúdo é irrelevante.
Você vende parafusos de aço inoxidável 316, o que os torna resistentes à corrosão marinha. Possui um site institucional da “Parafusos Ajax”, sem qualquer informação mais relevante sobre seus parafusos, tipos de utilização e comparativos com outras soluções de parafusos genéricos. Criou uma página no Instagram onde coloca fotos da sua fábrica e da sua equipe, das suas boas práticas de Recursos Humanos e da sua preocupação com sustentabilidade ambiental. Bonito, mas você não é nada no mundo das IAs. E ainda nesse momento você está pagando muito mais por anúncios em leilões online.
Perceba: estamos diante do colapso das soluções marketeiras genéricas do universo digital. Seu website é estratégico, sua criação de conteúdos é estratégica. Você precisa desenvolver uma estratégia de negócios também no mundo digital, não simplesmente se render às soluções tacanhas de curto prazo oferecidas por empresas genéricas.
Peço a gentileza do leitor de não entender esse posicionamento como um “ataque” aos terceirizados de “marketing digital” que infestam o mercado brasileiro. Mas como consultor já vivi diversos embates com esses “estrategistas digitais”. Marketing é uma estratégia unificada para sua empresa, offline e online. Precisamos de resultados de curto, médio e longo prazo, não de “leads” genéricos. Em meu livro “Gestão da Mediocridade – a Estratégia Comercial na Guerra pela Inovação” eu faço um amplo detalhamento desses tópicos. Colocado esse ponto, vamos seguir. Minha intenção aqui é ajudar você agora, não tratar da picaretagem do mercado nacional.
Vamos aprofundar a análise com um cenário mais robusto:
Um anseio novo e que se tornará permanente no meio industrial é a redução drástica das visitas técnicas. Você, como vendedor, não terá mais acesso aos influenciadores técnicos, aqueles capazes de empreender debates mais profundos sobre qualidades e defeitos, sobre custo x benefício de soluções. Você vai falar com um comprador genérico de uma grande empresa, com baixa qualificação técnica nas dezenas, centenas ou mesmo milhares de itens que devem ser comprados e negociados todos os dias. Seus diferenciais diante da concorrência são meros detalhes burocráticos.
Se sua solução foi certificada pelo setor da engenharia de certa empresa, ótimo. Concorra por preços com seus concorrentes. Mas você sendo mais caro, pois seus produtos possuem diferenciais tais como o exemplo que citei do parafuso inox 316, como você pode vencer essa disputa?
Os compradores cada vez mais terão como principal aliada alguma IA. Compras recorrentes, quebras na velocidade da produção por falhas técnicas em determinado componente … será que as IAs serão meras assistentes ou parte fundamental na tomada de decisões técnicas de compras?
Quem supre as informações que auxiliam as IAs para sugestões de melhorias? Você!
Agora, vamos à área técnica, de manutenção de uma fábrica. Certo componente está apresentando diversos problemas e o responsável decide buscar alternativas para solução desses problemas online. Você não vai aparecer com seu produto, diferenciais e comparativos? A IA só não irá recomendar você se você não fornecer informações robustas a respeito da sua solução!
Em uma segunda escala, se seu orçamento permitir, crie vídeos comparativos e educacionais e os disponibilize no YouTube. Sabe quem vai encontrar seus vídeos? A IA.
Perceba: no novo modelo de marketing online potencializado pela IA você precisa fornecer informações completas. O usuário em si pode ser preguiçoso, mas a IA vai tornar mais relevante sua produção de conteúdos técnicos e indicar você como solução.
O que vale mais: um like em seu post do Instagram ou uma IA recomendando suas soluções?
Aqui está o plano de ação. Não é complicado, mas exige disciplina:
Fundação
- Crie um website que responda as 10 perguntas mais comuns que seus clientes fazem sobre seus produtos
- Exemplo: se você vende parafusos, responda: ‘Qual parafuso usar em ambiente marinho?’, ‘Qual é a diferença entre inox 304 e 316?’, ‘Como escolher o tamanho certo?’
Diferenciação
- Crie comparativos diretos: ‘Por que nosso parafuso é melhor que o concorrente X’
- Mostre dados: ‘Nosso parafuso dura 40% mais em ambiente marinho’
Autoridade
- Crie vídeos técnicos no YouTube (a IA também encontra vídeos)
- Obtenha links de sites técnicos apontando para seu conteúdo
- Resultado esperado: Em alguns meses quando alguém pergunta à IA sobre seu tipo de produto, você irá aparecer nos primeiros resultados.”
E reflita sobre seus objetivos de marketing:
Curto Prazo: vendas
Médio Prazo: Interação com potenciais clientes
Longo Prazo: Marca (branding)
Se você implementar esses passos, seus concorrentes irão se perguntar por que suas soluções aparecem primeiro nas respostas das IAs. E enquanto eles estão pagando R$ 5 por clique em anúncios, você está recebendo recomendações de graça. Comece hoje: audite seu website e identifique as 3 perguntas mais importantes que seus clientes fazem. Depois, crie conteúdo que responda essas perguntas melhor que qualquer concorrente.
E assim começamos seu novo plano de marketing.
Sucesso e até a próxima!
Alex Kunrath é Consultor da IDATI CONSULTORIA E TREINAMENTO, consultoria especializada em Reestruturação Comercial.
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